Crosswalk Territorial de Portugal
A divisão administrativa portuguesa de 2001 a 2025, resolvida no tempo.
2.063
freguesias extintas em 2013
97.815
conversões no crosswalk
Números de setembro de 2026, conferidos com a documentação do listing.
1. O problema
Em 2013, a Lei 11-A extinguiu 2.063 freguesias e criou 895. Em 2025, a Lei 25-A desfez 135 dessas uniões em 302 freguesias novas.
O efeito prático é simples e caro: um código de freguesia de 2010 não existe hoje. Qualquer série estatística anterior a 2013 — turismo, habitação, contratação pública, eleições — é incomparável com a actual enquanto alguém não fizer a conversão.
E a conversão não é uma correspondência de um para um. Freguesias fundiram-se em grupos, uma parte delas voltou a separar-se doze anos depois, e há casos em que a lei diz quais se juntaram sem dizer em que proporção repartir.
2. O que está publicado, e o que não está
A Direção-Geral do Território publica a Carta Administrativa Oficial de Portugal todos os anos. São 27 edições desde 2001, todas disponíveis, todas correctas.
O que não está publicado é a ligação entre elas.
Cada edição é uma fotografia. Nenhuma diz o que aconteceu ao código que desapareceu de uma para a outra, nem para onde foi a população que ele representava.
3. Como o dado é construído
A conversão tem quatro métodos, e cada linha declara qual usou.
- Correspondência legal. O diploma diz que a freguesia A passou a integrar a B. Sem ambiguidade e sem estimativa — é o método preferido, e cobre a maioria dos casos.
- Identidade. O código não mudou.
- Rateio por população. Quando a lei reparte por várias e não diz em que proporção, o peso vem da população residente medida ao nível da subsecção estatística — a unidade mais fina que o recenseamento publica.
- Rateio por área. Último recurso, e usado em 9 linhas de 97.815.
A hierarquia importa mais do que qualquer um dos métodos. Um crosswalk que estima tudo por área é fácil de construir e erra onde a população se concentra: uma união do Porto repartida por área atribui peso a encostas desabitadas.
A população vem do recenseamento imediatamente anterior à reforma, e não do mais recente. É o único que conhece as freguesias que a reforma extinguiu — usar um posterior seria atribuir ao passado uma distribuição que só existiu depois dele.
Nomes e códigos históricos vêm da edição da época. O nome do concelho em 2003 é o que o ficheiro de 2003 publica, não o de hoje.
4. O que este dado NÃO faz
- Não regista alteração de limite que não mude código nem nome. A DGT rectifica traçados quase todos os anos. Quem precisa do território, e não da identidade, tem de ir à geometria.
- Não converte entre duas edições históricas. Cobre qualquer ano para o actual — não 2005 para 2013.
- Não publica geometria histórica. A geometria vai só na divisão vigente, em três níveis de detalhe. O produto aqui é a série de códigos ao longo do tempo; a geometria das 27 edições multiplicaria o tamanho por vinte e sete.
- Uma unidade territorial não tem nome, e isso vem da fonte: os ilhéus do Porto Santo aparecem na carta sem designação. O dado diz explicitamente que o nome foi suprido, em vez de inventar um topónimo.
5. Como se sabe que está correcto
Cada publicação passa por 151 verificações automáticas. Três delas valem ser ditas:
A soma dos pesos tem de dar exactamente 1 por origem. É o que garante que converter uma grandeza somável preserva o total.
A população reconstruída tem de reproduzir o recenseamento. Os 10.562.178 residentes de 2011, ao indivíduo.
Existe uma declaração de qualidade versionada, e um teste que a confronta com o dado. Se o dataset afirma que tem uma unidade sem nome, o teste conta e compara. Foi esse mecanismo que interceptou a última alteração incompleta antes de ela ser publicada.
As limitações medidas estão declaradas no próprio dataset, com a contagem exacta — incluindo as inconvenientes.
6. Acesso
Publicado no Snowflake Marketplace, gratuito.
Fontes: Direção-Geral do Território e Instituto Nacional de Estatística, Portugal — ambas sob CC BY 4.0, que permite uso comercial. A atribuição exigida por cada uma acompanha o dado, na forma exacta que o licenciador designa.
7. Encontrou um problema? E como acompanhar o que muda
Um erro reportado é mais útil do que um erro por encontrar: hi@insigne.tech. Diga qual a tabela, qual a linha e o que esperava.
A newsletter. Toda a alteração ao dado sobe a versão do dataset e entra num changelog, que sai por lá. Mas ela não é só isso: é também por onde saem os bastidores de como estes conjuntos de dados são construídos, e o que se aprende a trabalhar com dado público — que quase nunca chega pronto.
Um e-mail ocasional, sem ruído.
O dado público raramente chega no formato em que se precisa dele. Este crosswalk existe porque um projecto precisou dele e ele não existia.
Se o seu caso é parecido, é disso que tratamos.